O advogado Ângelo Rezende, que representa o senador Jaques Wagner (PT-BA), foi apontado em reportagem publicada pelo UOL como sócio indireto da PKL One, empresa responsável pela administração do Credcesta. O programa de crédito consignado é operado pelo Banco Master e está relacionado a investigações que apuram supostas fraudes envolvendo aposentados do INSS e servidores públicos.
De acordo com a publicação, a participação de Rezende ocorre por meio de uma cadeia de fundos de investimento. Um dos investidores da PKL One é o fundo Gardênia, que possui entre seus cotistas o fundo MMPG, registrado em nome do advogado.
A PKL One é administrada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Conforme informações da Polícia Federal citadas pelo UOL, Lima é apontado como uma pessoa próxima ao senador Jaques Wagner e, apesar de não constar oficialmente como acionista da empresa, teria influência sobre o negócio.
A reportagem também informa que Augusto Lima e Jaques Wagner mantiveram contato frequente entre novembro de 2023 e maio de 2025. Segundo dados da Polícia Federal, foram registradas 74 ligações entre os dois nesse período. Wagner foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em junho deste ano.
Outro ponto destacado pelo UOL envolve uma correspondência do Esporte Clube Bahia SAF. O documento confirma a transferência de R$ 2 milhões referentes à antecipação da compra de um terreno pertencente ao senador e à sua esposa. O nome e o e-mail de Ângelo Rezende aparecem como destinatários da comunicação. A negociação, entretanto, foi suspensa após decisão judicial que determinou o bloqueio dos bens.
Contrato do Credcesta na Bahia
Ainda segundo a reportagem, a PKL One firmou, em 2018, um contrato de exclusividade de 15 anos com o Governo da Bahia para administrar o Credcesta. Poucas semanas depois, a empresa cedeu ao Banco Master os direitos de exploração do programa.
O UOL afirma ainda que essa exclusividade foi viabilizada por um decreto assinado por Jaques Wagner, que à época exercia o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, após a privatização da antiga Ebal.
Citados não responderam
Conforme informado pelo UOL, Jaques Wagner, Augusto Lima, Ângelo Rezende e Guilherme Sodré foram procurados para comentar os fatos, mas não haviam respondido aos questionamentos até a publicação da reportagem.
Em nota enviada ao UOL após a publicação da matéria, caso haja manifestação posterior, os envolvidos poderão ter seus posicionamentos acrescentados à reportagem. Até o momento da publicação original, não havia resposta dos citados.
Com informações do UOL.


