A primeira massa de ar polar de 2026 consolidou-se sobre o território brasileiro ao longo do fim de semana do Dia das Mães e prossegue nesta segunda-feira, 11 de maio, como o evento meteorológico de maior amplitude e intensidade registrado no país desde o início do ano. Segundo a Climatempo, o sistema polar que ingressou pelo Rio Grande do Sul na manhã de sexta-feira, 8 de maio, na esteira do ciclone-bomba, é classificado como uma onda de frio de magnitude excepcional para o mês de maio, com temperaturas que podem ficar até 10°C abaixo da média histórica mensal em boa parte do Centro-Sul, e com risco confirmado de geada moderada a forte nas madrugadas de hoje e de amanhã em áreas que vão do planalto gaúcho ao interior de São Paulo e Minas Gerais.
Os estados do Sul do Brasil vivenciaram neste fim de semana temperaturas que se aproximaram ou atingiram o zero grau em múltiplas localidades. Nas serras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, acima dos 1.500 metros de altitude, registrou-se precipitação invernal, com chuva congelada e neve em pontos isolados das regiões de altitude, como São Joaquim, em Santa Catarina, e Cambará do Sul e Bom Jardim da Serra, no Rio Grande do Sul. Embora o fenômeno não seja inédito para a estação, sua ocorrência em maio, antes mesmo do início astronômico do inverno em 21 de junho, e imediatamente após o ciclone-bomba da semana anterior, ilustra a intensidade da massa de ar que se instalou sobre a região e que deverá perder força apenas a partir da tarde de quarta-feira, 13.
O impacto sobre a agricultura é o aspecto mais economicamente relevante desta onda de frio. Maio é um mês de transição crítico para diversas culturas no Sul e no Sudeste: a colheita do milho safrinha está em curso em Mato Grosso do Sul e no sul de Minas; plantações de hortaliças e fruticultura fina nas regiões serranas gaúchas e catarinenses estão expostas ao risco de geada que pode queimar folhas e destruir frutos ainda em desenvolvimento; e os cafezais do sul de Minas Gerais, região responsável por parcela expressiva da produção de café arábica de qualidade superior do Brasil, estão em uma fase fenológica em que temperaturas abaixo de zero podem causar danos cujos reflexos se farão sentir na produção de 2027. A Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, emitiu alerta de monitoramento para os estados afetados e iniciará levantamento de danos a partir de quarta-feira.
A dimensão de saúde pública da onda de frio é igualmente expressiva. Doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite e reagudização de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, têm incidência comprovadamente aumentada durante episódios de frio intenso, especialmente em populações de idosos, crianças pequenas e pessoas em situação de rua. As Secretarias Municipais de Saúde de Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e São Paulo acionaram planos de contingência para clima frio, com ampliação do número de leitos disponíveis para doenças respiratórias e abertura de centros de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade. Na capital paulista, onde a temperatura mínima desta madrugada ficou entre 8°C e 10°C, as equipes do programa de abordagem a pessoas em situação de rua da Secretaria Municipal de Assistência Social relataram aumento de 35% nas solicitações de abrigo em relação à média dos últimos 30 dias.
A associação desta onda de frio com o Dia das Mães, comemorado ontem, 10 de maio, criou uma confluência meteorológica e calendária que restringiu as celebrações ao ambiente doméstico em grande parte do Sul e do Sudeste. Restaurantes de São Paulo relataram taxa de cancelamento de reservas do Dia das Mães acima de 20%, impacto que o setor de alimentação fora do lar, ainda em recuperação após as pressões dos anos anteriores, considerou significativo. Por outro lado, o comércio de produtos de inverno, como cobertores, aquecedores e roupas quentes, registrou pico de vendas que os lojistas descrevem como o melhor fim de semana de verão-inverno dos últimos anos.
A previsão do Inmet para os próximos dias indica a manutenção das temperaturas abaixo da média histórica até quarta-feira, 13, quando a massa polar começará a recuar em direção ao oceano e a temperatura retomará uma trajetória de elevação gradual. Para o fim de semana de 16 e 17 de maio, as condições devem se normalizar na maior parte do Centro-Sul, com temperaturas voltando à faixa de 20°C a 25°C durante o dia no interior de São Paulo e em Minas Gerais. Até lá, o conselho dos meteorologistas é o de sempre, e o único com eficácia comprovada: casaco.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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